quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cristina Kirchner reivindica Malvinas na ONU nesta quinta


A presidente argentina, Cristina Kirchner, apresenta-se nesta quinta-feira diante do Comitê de Descolonização da ONU para reivindicar a soberania de seu país sobre as Malvinas, em uma inédita visita apimentada pelo recente anúncio da Grã-Bretanha de um referendo entre os moradores da ilha.
A reunião em Nova York coincide com o 30º aniversário do final da guerra de 1982 que terminou com a vitória britânica, e se espera que nessa ocasião Kirchner responda ao anúncio de terça-feira da realização de um referendo em 2013 para que os 3.000 habitantes das ilhas se pronunciem sobre seus status político.
A presidente argentina estará acompanhada de uma ampla delegação de líderes opositores, com o objetivo de deixar claro o consenso que existe sobre a reivindicação da soberania das Malvinas, ocupadas pelo Reino Unido desde 1833.
Kirchner será a primeira presidente a se apresentar diante do Comitê de Descolonização da ONU, formado por 24 países e presidido atualmente pelo equatoriano Diego Morejón Pazmiño, segundo fontes diplomáticas.
Esse órgão especial das Nações Unidas pede regularmente desde 1965 às duas partes que iniciem negociações pela disputa do arquipélago no Atlântico Sul, apesar de a Grã-Bretanha sempre ter ignorado essas resoluções não vinculantes.
Em meio ao estremecimento de sua reclamação com o governo britânico, a Argentina conseguiu nos últimos meses o apoio dos países latino-americanos, incluindo a decisão de membros do Mercosul como Brasil, Uruguai e Chile (associado) de proibir a entrada em seus portos de navios com a bandeira das Malvinas.
Em fevereiro, o chanceler argentino, Héctor Timerman, denunciou diante da ONU uma "militarização" britânica do Atlântico Sul e a exploração de possíveis recursos petroleiros nessa região, acusações rejeitadas pelo governo do Reino Unido, para quem a questão da soberania foi resolvida em 1982.
Conscientes dos esforços mobilizados pela Argentina nessa ocasião, os habitantes da ilha foram a Nova York com uma delegação de oito pessoas, a maior desde 1996, que busca mostrar que as Malvinas querem ter sua voz nas discussões.
"O referendo é uma boa chance de mostrar que o povo das Falklands (denominação britânica das Malvinas) está genuinamente feliz com o status que tem neste momento", disse Rober Edwards, membro da Assembleia Legislativa das ilhas, em um encontro com a imprensa na missão britânica diante da ONU.
Edwards admitiu que o resultado do referendo não mudará a posição argentina, apesar de pretender que esse processo tenha um efeito externo: "Espero que o restante do mundo não continue apoiando a beligerância argentina", afirmou.
Os moradores da ilha, que reivindicam seu direito de autodeterminação, não são reconhecidos pelo governo argentino, que insiste em negociar diretamente com o Reino Unido.
Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse esperar que a população das Malvinas fale "forte e alto" no referendo de 2013 e que a Argentina "escute o veredicto das urnas".
"Os habitantes das Falklands decidiram realizar um referendo para mostrar que acreditam na autodeterminação, e creio que isso seja muito importante, porque a Argentina trata continuamente de ocultar este argumento e não se importa com as opiniões dos moradores", declarou Cameron no Parlamento em Londres.
A guerra das Malvinas, que durou 74 dias entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, foi lançada pela ditadura militar no poder em Buenos Aires e deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos.
Menos de 2 milhões de pessoas vivem sob domínio colonial nos 16 territórios não autônomos que restam no mundo, entre eles Gibraltar, segundo a ONU.

sábado, 9 de junho de 2012


Mascarenhas de Moraes

JOÃO BATISTA MASCARENHAS DE MORAES
(84 anos)
Militar

* São Gabriel, RS (13/11/1883)
+ Rio de Janeiro, RJ (17/09/1968)

Foi um dos comandantes da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, tendo combatido na Itália em 1944 e 1945.

Carreira Militar

Aos 14 anos, já morando sozinho em Porto Alegre, trabalhando e estudando, conseguiu ingressar na Escola Preparatória e Tática de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Ao sair de lá, após a conclusão do curso, foi ingressar na Escola Militar do Brasil, conhecida por Escola da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

General Mascarenhas de Moraes ao centro (Foto: FGV-CPDOC)
Durante a Revolução de 1930, manteve sua lealdade ao presidenteWashington Luís e foi preso pelos rebeldes liderado por Getúlio Vargas, que no futuro se tornaria presidente, após a expulsão deWashington Luís.

Após a liberação,Mascarenhascontinuou sua carreira no exército. Foi colocado sob prisão pela segunda vez, quando proclamou o seu apoio a uma revolta militar e civil contra Getúlio Vargas, em São Paulo (1932). Mais uma vez, após a derrota do levante, Mascarenhas foi liberado e não processado.

Em 1935, enquanto comandava a Escola Militar do Realengo, Mascarenhas de Moraes tomou parte na luta contra um levante comunista no Rio de Janeiro. Desta vez sua lealdade era com o governo constitucional de Getúlio Vargas.

Em 1937, tornou-se general-de-brigada e foi transferido para comandar a 9ª Região Militar em Campo Grande, hoje no Mato Grosso do Sul. No ano seguinte, foi nomeado comandante da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Infantaria, no Rio de Janeiro.

Zenóbio da Costa, Mascarenhas de Moraes e Cordeiro de Farias
Da capital fluminense acompanhava o desenrolar das operações de guerra na Europa e no Atlântico Sul, com o afundamento do Couraçado Admiral Graf Spee.

Nesse momento, a questão do saliente nordestino começa a circular nos meios militares. E é ai que o general Mascarenhas de Moraes resolve pleitear, junto ao Ministro da Guerra, um comando fora do Rio de Janeiro, de preferência no Nordeste, no que foi atendido.

No ano de 1941 é designado comandante da 7ª Região Militar, em Recife. A partir desse momento começa a se engajar definitivamente nos misteres relativos à eventual preparação militar do Brasil para a Segunda Guerra Mundial. Comandando a 7ª Região Militar, passava a comandar a área estratégica mais importante do território brasileiro nessa hora de conflito.

Em 1943 ele foi nomeado comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da Força Expedicionária Brasileira.

O general chegou a Itália com as primeiras tropas brasileiras em junho de 1944 e comandou as forças brasileiras até a rendição dasPotências do Eixo na Itália, em 2 de maio de 1945.

Após o fim da guerra, ele retornou ao Brasil e, em 1946, foi promovido a marechal, por ato do Congresso Nacional, e recebeu o comando da 1ª Região Militar na então capital brasileira, Rio de Janeiro.

Em 1953 foi nomeado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), oportunidade em que acompanhou a crise política que levaria ao suicídio deGetúlio Vargas no ano seguinte. Depois do suicídio do presidente, em agosto de 1954, ele retornou para a reserva e publicou as suas memórias, como comandante da Força Expedicionária Brasileira.

Em 1955, apoiou o golpe militar liderado pelo general Teixeira Lott, que garantiu a posse de Juscelino Kubitschek na Presidência da República.

Homenagens

Em São Gabriel, cidade de seu nascimento, encontra-se, na Praça Fernando Abbott, um nobre monumento em sua homenagem. Nele estão escritas as batalhas que o marechal comandou na Segunda Guerra Mundial.

Condecoração

A Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB), instituiu em sessão do dia 14 de agosto de 1969 a Medalha Marechal Mascarenhas de Morais, cuja finalidade é homenagear de forma permanente, objetiva e condigna, pessoas físicas ou jurídicas que tenham prestado significativos serviços à FEB, ou que venham a prestar relevantes serviços à Associação ou a classe por ela assistida.

O Grêmio do Colégio Militar de Curitiba recebeu o nome de Sociedade Recreativa Marechal Mascarenhas de Moraes em sua homenagem.

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