quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Porta-aviões dos EUA atravessa Estreito de Ormuz em meio a tensões com Irã


Vigiado por patrulhas iranianas, USS Abraham Lincoln navegou próximo a costa do país persa em meio a tensões por seu programa nuclear

Helicóptero americano que acompanha o porta-aviões USS Abraham Lincoln 
paira sobre navio de patrulha iraniano durante travessia no Estreito de Ormuz
O porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln navegou nesta terça-feira pelo Estreito de Ormuz, perto da costa iraniana, pela segunda vez nas últimas semanas.

A passagem do porta-aviões - acompanhada de perto por barcos de patrulha iranianos, que chegaram a passar a 3,2 km do USS Abraham Lincoln - pôs fim a uma missão no Golfo que mostrou o poder naval do ocidente em meio às tensões com Teerã, que ameaçou bloquear a vital via por onde passa 20% do petróleo utilizado no mundo.

Oficiais a bordo do USS Abraham Lincoln disseram que não houve incidentes com as forças iranianas e descreveram a fiscalização por Teerã como "medidas de rotina" próximo ao estratégico estreito, cujo controle cabe ao Irã e a Omã.

Embora navios de guerra americanos tenham passado no estreito por décadas, essa viagem ocorre durante um aumento das tensões entre o Irã e o ocidente, por conta do controverso programa nuclear do país persa. A última vez que um porta-aviões deixou o Golfo - o USS John C. Stennis em dezembro - o chefe do Exércio iraniano alertou que os EUA não deveriam voltar nunca mais.

O Lincoln é o principal componente da flotilha que entrou no Golfo no mês passado, junto a navios de guerra do Reino Unido e da França em uma mostra da unidade do ocidente contra as ameaças iranianas. Não houve nenhum comentário imediato por parte do Irã sobre a partida do Lincoln.

A Guarda Revolucionária Iraniana disse que planejava exercícios navais perto do Estreito, por onde passam cerca de 14 navios-tanque de petróleo por dia. Mas os militares iranianos não fizeram qualquer tentativa em interromper o tráfico de navios-tanque - ação essa que, segundo os EUA e seus aliados, teria uma rápida resposta.

Dois navios de guerra americanos, um a frente e outro na parte traseira, escoltaram o Abraham Lincoln em sua jornada pelo estreito até o Mar Arábico depois de quase três semanas no Golfo, frequentemente visitado por navios de guerra americanos.

Mais tarde, apenas depois que o Lincoln circundou uma parte do território de Omã ao final do estreito, um avião de patrulha iraniana ganhou altura. Outro barco de patrulha aguardava mais ao final da costa, disse Troy Shoemaker, comandante das forças do Abraham Lincoln.

Além dos barcos de patrulha regulares do Irã, a Guarda Revolucionária opera um grande número de barcos pequenos de ataque rápido. Alguns estão armados apenas com uma metralhadora, enquanto outros carregam mísseis. Eles são difíceis de detectar porque se assemelham a outros barcos que dobram o estreito.

Shoemaker disse que nenhum desses barcos rápidos apareceram nesta terça-feira, provavelmente por conta do movimento revoltoso do mar. Ele acrescentou que já previa que os iranianos manteriam um olhar atento quanto aos movimentos do Lincoln em toda sua passagem, inclusive com radares em terra. A ação das patrulhas iranianas não foi nenhuma surpresa.

"Nós faríamos as mesmas coisas se fosse na costa dos EUA... É mais que razoável. Nós estamos operando no quintal deles", disse. "Nós temos feito isso por anos."

Vários helicópteros americanos acompanharam o porta-aviões durante o tráfego, cuidando das embarcações potencialmente hostis e transmitindo em tempo real imagens do caminho para a tripulação do Lincoln.

Os EUA e seus aliados temem que o programa iraniano de enriquecimento de urânio tenha como intuito a produção de armas nucleares. O Irã insiste que o enriquecimento de urânio tem somente fins civis.

"Eu não caracterizaria... nós indo pelo estreito como: 'Hey, essa é uma grande demonstração de força. Estamos chegando.' Esse é um estreito internacional feito para o trânsito. Partimos de um local para o outro", disse o capitão John Alexander, o comandante do Lincoln, enquanto se preparava para a viagem na noite de segunda-feira.

É esperado que o Lincoln dê suporte aéreo à missão da Otan no Afeganistão nesta terça-feira. Fontes da Marinha no Golfo disse que outro porta-aviões deve voltar ao Estreito em breve, mas não entrou em detalhes.


Fonte: iG (com AP)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As Armadilhas das Operações GLO

André Luís Woloszyn
Analista de Assuntos Estratégicos


O emprego das Forças Armadas, especialmente do Exército, em operações policiais em diversos estados tem sido sistemáticas, a partir da experiência positiva adquirida nas favelas do Rio de Janeiro, contra organizações criminosas envolvidas com o narcotráfico. Esta ação, denominada Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com previsão constitucional, provavelmente contribuiu para mantê-la como instituição mais confiável para 49,6% dos brasileiros, segundo recente pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no chamado Sistema de Indicadores de Percepção Social. Ainda, sob a influência deste sucesso, constatou-se uma mudança na percepção da opinião pública brasileira, materializada no resultado de 58,1% da amostra que entende como papel  mais importante das Forças Armadas o combate à criminalidade em conjunto com as polícias estaduais. O restabelecimento da paz pública nos estados do Ceará e da Bahia, quando da greve das polícias militares daqueles estados deverá aumentar os índices desta percepção.

Inobstante, a conjuntura que envolve a área da segurança pública no país, de maneira geral, mostra-se frágil e com graves problemas estruturais que se arrastam por décadas e que são temporariamente minimizados pelas autoridades com ações paliativas e pontuais. Para  muitos gestores governamentais, ainda persiste a visão de que segurança é feita exclusivamente com a presença ostensiva da polícia nas ruas ou mediante ações policiais sistemáticas, que na verdade, são apenas um item dentre um conjunto de políticas  públicas complementares que deveriam ser instituídas com a finalidade de reduzir a desigualdade social, promover empregos, educação e saúde minimizando os impactos desta criminalidade na população. Assim, aumenta-se o efetivo das polícias, paga-se um salário aviltante com parcos investimentos na infra-estrutura, no treinamento de recursos humanos e em tecnologia, com expectativas de que estas instituições realizem milagres enquanto o essencial é porstergado.

O resultado desta visão cultural não poderia ser outro. O esgotamento de todo um sistema que já não consegue atender as necessidades básicas da população no que se refere a promoção da paz pública e da incolumidade física dos cidadãos, não apenas nas periferias mas agora também nos grandes centros urbanos. E neste contexto, ocorrem parcela significativa dos problemas atuais afetos a segurança como os constantes abusos aos direitos humanos, o aumento considerável na taxa de homicídios que atinge 50 mil/ano, recrudescimento da violência e da criminalidade, rebeliões em presídios, ações policiais catastróficas e as recentes greves em algumas das polícias militares por melhores salários, uma história  que se repete  desde 1997 com  prejuízos irreparáveis a estas Instituições e flagrante desrespeito constitucional pela maneira como estão sendo operacionalizadas.

Quanto a aprovação da PEC 300, que fixa um piso nacional entre outras vantagens, outro  objetivo das  recentes greve, existem diversas correntes, uma que entende não ser matéria que a União possa legislar uma vez que as polícias militares são competência de cada estado federativo, regidas por Leis e Decretos estaduais. E mesmo que seja votada no Congresso, a exemplo do piso nacional dos professores, além da necessidade de regulamentação estadual, os estados poderão alegar não possuírem  recursos  para tal  pagamento, voltando-se ao ponto de partida, o que provavelmente ocorrerá.

Nesta perspectiva, torna-se evidente que todo este sistema, embora alguns avanços, necessita urgentemente de uma  reengenharia, de uma nova visão gerencial e policial que permita  acompanhar o dinamismo da criminalidade e as crescentes ameaças surgidas das diferentes e globalizadas relações sociais. Este pensamento é compartilhado por segmentos significativos da sociedade brasileira medidos por meio de dezenas de pesquisas de opinião realizadas por diferentes e respeitados órgãos  nos últimos anos com conclusões científicas.

Não  é aceitável  que em um  país que detém  a sexta economia mundial e encontre-se em franco desenvolvimento,  apresente tamanho grau de vulnerabilidade  interna, facilitada pela ausência de  políticas  públicas e investimentos, pelo caos no sistema carcerário e por uma legislação penal arcaica de 1940, transformando cidadãos  em reféns pela restrição  à liberdade de locomoção e  acesso aos  espaços comunitários. Mantido o status atual, lamentavelmente, os eventuais sucessos conquistados na área da segurança pública no país podem ser apenas aparentes e  tendem a se transformar, com o tempo, em  tormentosos fracassos, alimentando a fome insaciável deste sistema arcaico por novas e midiáticas ações,  igualmente paliativas. Assim, a chamada GLO pode se transformar em uma armadilha onde as Instituições que a operacionalizam tendem a perder gradativamente  a mística, entre outros valores.

Síria recusa pedido de missão de paz da ONU



Liga Árabe solicitou ao Conselho de Segurança o envio de forças de paz ao conflito sírio. Enquanto Rússia e China vetam resolução, regime sírio avança contra civis. Estados árabes decidem cortar relações com Damasco.

O regime sírio recusa-se a aceitar o pedido dos Estados árabes por uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo informou o embaixador sírio no Cairo, Jussif Ahmed, nesta segunda-feira (13/02), a Síria rejeitou categoricamente a solicitação da Liga Árabe ao Conselho de Segurança da ONU feita neste domingo.

Nesta segunda-feira, a organização também emitiu um alerta sobre o governo sírio. O regime está disparando propositalmente contra manifestantes desarmados, informou a comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, diante da Assembleia Geral das ONU em Nova York. "Sem aviso, atira-se nas pessoas que lutam pacificamente por seus direitos", disse.

Pillay lamentou que o Conselho de Segurança não tenha conseguido aprovar uma resolução sobre a Síria. "A falha do Conselho de Segurança em acordar sobre uma ação comum parece ter encorajado o governo sírio a lançar mão de um ataque feroz na tentativa esmagar os dissidentes", considerou. "O risco de uma crise humanitária na Síria está aumentando."

Missão de paz

O regime Assad anunciou que os Estados do Golfo Arábia Saudita e Catar estariam por trás do "complô" da Liga Árabe contra a Síria. A Liga havia pedido o envio de forças de paz da ONU à Síria, para "monitorar um cessar-fogo". Soldados árabes também participariam da missão.

No Conselho de Segurança, os poderes de veto da China e da Rússia impedem uma resolução. Os dois países opõem-se estritamente a uma operação militar na Síria. Eles temem, entre outras coisas, que tropas estrangeiras possam apoiar uma mudança de regime, como no caso da Líbia.

O ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, disse nesta segunda-feira, em Moscou, que está disposto a considerar a proposta. Mas a condição para uma missão de paz seria um cessar-fogo e o consentimento da Síria. A Rússia está no alvo da crítica internacional por impedir no Conselho de Segurança uma ação mais incisiva contra Damasco. Desde a União Soviética, Moscou é aliado e fornecedor de armas da Síria.

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Liu Weimin, disse que seu país continua apostando no diálogo, e só "apoiará as decisões da comunidade internacional que caminhem ao lado das chinesas".

Enquanto isso, o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, saudou a sugestão de uma missão de paz. Mas seria decisivo que a iniciativa partisse da região. "Ou seja: a Liga Árabe deve estar no comando", disse o ministro durante sua visita ao Brasil nesta segunda-feira.

A União Europeia (UE) também apoia a proposta da Liga Árabe. "Repito minha solicitação a todos os membros do Conselho de Segurança para agir com responsabilidade neste momento crítico", declarou a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, em um comunicado.

Sem sinal de trégua

Ainda não há sinais de que a situação se acalmará na Síria, que é a condição para um cessar-fogo entre as forças de segurança e os dissidentes. Continuam os ataques militares sírios aos centros dos protestos, em Homs, Hama e Daraa. De acordo com ativistas, apenas na província de Homs, pelo menos dez pessoas morreram, quando tropas do governo tomaram a aldeia de Al Rastan.

"Apenas no ano passado, 5.400 pessoas morreram, principalmente civis e soldados que se recusavam a atirar em civis", disse a comissária Pillay. Seria praticamente impossível atualizar esse número, pois o regime nega acesso a todos os observadores. "Mas sabemos que há mais [mortos] a cada dia." Ativistas estimam que o número de mortos desde o início dos protestos na Síria, há 11 meses, seja ainda maior: cerca de 6.300 civis e 1.650 soldados.

Em reunião no Cairo, os Estados árabes decidiram cortar suas relações diplomáticas com Damasco. O comércio deverá ser restringido a bens vitais para a população síria. Além disso, os árabes disseram pretender encerrar seus contatos com o Conselho Nacional Sírio.

Entretanto, foi recusada a proposta de alguns Estados do Golfo de reconhecer o conselho dos oposicionistas como "único representante legítimo do povo sírio". Após a reunião, o ministro do Exterior do Iraque, Hoshiar Sebari, declarou ser muito cedo para isso.


Fonte: Deutsche Welle

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Argentina: Londres enviou armas nucleares às Malvinas



O governo da Argentina acusou o Reino Unido de enviar armas nucleares para as Ilhas Malvinas e de manter no arquipélago um sistema militar de controle do Atlântico Sul, desde a Amazônia até a Antártida e desde a costa oriental sul-americana à costa ocidental africana, assim como os acessos entre os oceanos Atlântico e Pacífico e Atlântico e Índico. A denúncia foi feita nesta sexta-feira pelo ministro de Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, na sede da ONU, em Nova York.

Timerman apresentou um documento detalhado da ação militar britânica nas Malvinas, que aponta o aumento da presença das Forças Armadas na região. "O orçamento militar inglês foi reduzido em todo o mundo, menos nas Malvinas", acusou o chanceler durante entrevista coletiva que foi transmitida ao vivo pelas emissoras de TV da Argentina. Segundo ele, "os exemplos mais notáveis da militarização por parte do Reino Unido são a recente incorporação ao sistema bélico das Malvinas de um destroier HMS Dauntless tipo 45 e de aviões Typhoon II com mísseis Taurus e o envio de um submarino nuclear".

O submarino com propulsão nuclear, segundo detalhou o ministro, tem capacidade para transportar armamento nuclear. "Informações recebidas pela Argentina através de fontes indicam que se trataria do submarino Vanguard", disse ele, queixando-se da falta de confirmação do governo britânico sobre o assunto. Timerman também disse que os aviões Typhoon Eurofighter, que realizam exercícios na base aérea das Malvinas, são do mesmo modelo usado na Líbia, no Afeganistão e no Iraque.

"Por que esse tipo de avião se encontra na nossa região? Nenhum país da América do Sul dispõe dessa capacidade bélica", reclamou o ministro argentino. Ele disse que os pilotos britânicos são treinados nesses aviões para depois ser enviados a zonas de conflito. Timerman disse ainda que os britânicos estão realizando no arquipélago provas com o míssil Taurus, com um alcance de até 500 km. "Combinado com o avião Typhoon II, o míssil se transforma na arma mais ofensiva e letal em operação no Atlântico Sul, que pode alcançar grande parte da Argentina e do Chile, o Uruguai e o Brasil", afirmou.

A base aérea britânica, segundo o documento argentino, possui 16 hangares e duas pistas de pouso. Por último, o chanceler citou que o sistema de comunicações e de radar é o mais moderno da indústria, conectado com o Reino Unido, os EUA, a França, o Canadá e o Japão. "O sistema está sendo usado para executar tarefas de vigilância, reconhecimento e controle marítimo e aéreo do Atlântico Sul e da América do Sul", afirmou. Na quarta-feira, a presidente Cristina Kirchner havia dito que a região possui a maior reserva de recursos naturais do planeta e que as guerras futuras serão por esses recursos.

"O Reino Unido usa a infundada defesa da autodeterminação de 2.500 habitantes das ilhas como desculpa para o estabelecimento de uma poderosa base militar, que serve aos seus interesses estratégicos no Atlântico Sul", disse o ministro. Nesse sentido, Timerman reiterou o apelo de seu governo para que o Reino Unido cumpra determinação da ONU de sentar-se para negociar uma solução pacífica e definitiva para a disputa em torno da soberania sobre as Malvinas, chamadas pelos britânicos de Falkland.

R.Unido nega militarização e diz que acusações argentinas são "lixo"

O embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, negou nesta sexta-feira que seu país tenha militarizado o Atlântico Sul, disse que as acusações argentinas "são lixo" e criticou o país sul-americano por iniciar uma "guerra de declarações" quando se completam 30 anos da "invasão ilegal" das Malvinas.

"Nada mudou em relação a nosso posto de defesa nas ilhas Falkland (Malvinas)", afirmou o embaixador britânico na sede da ONU, depois que a Argentina formalizou sua queixa perante o organismo por causa da "militarização" da região, respondendo que as supostas provas apresentadas são "lixo".

O embaixador, que se negou a comentar se seu país deslocou submarinos nucleares para a região, reiterou sua determinação de continuar defendendo os habitantes das ilhas "para que não se repita" a invasão de 1982, e criticou o Governo de Cristina Fernández de Kirchner por propiciar uma "escalada da retórica" verbal entre ambas as nações.

Desta forma, o representante britânico respondeu ao ministro de Exteriores argentino, Héctor Timerman, que disse previamente na sede da ONU que seu país conta com informação de que o Reino Unido "introduziu armas nucleares no Atlântico Sul e não foi a primeira vez".

O embaixador explicou novamente que o recente envio para a região do destróier MS Dauntless, o mais moderno de sua frota naval, faz parte das "manobras de rotina" que a Marinha Real britânica faz a cada seis meses, e se perguntou para que seu Governo ia querer "gastar mais para defender as ilhas neste momento de crise".

Assim, após ressaltar que o Reino Unido não procura "aumentar a retórica" verbal com a Argentina, à qual criticou por "ir à ONU" para dizer que seu país militarizou o Atlântico Sul, deixou claro que ele vai continuar aproveitando qualquer oportunidade para defender sua posição em relação às Malvinas.

O embaixador disse não ter falado ainda com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre as queixas da Argentina, por isso que não quis comentar sua oferta de "intermediar" e exercer seus bons ofícios para conseguir uma "solução pacífica" para o conflito sobre as ilhas Malvinas.

Reconheceu que a Argentina é hoje um Governo democrático que diz querer abordar o conflito de forma pacífica, mas disse que se quer retomar as conversas com o Reino Unido de verdade deve começar por modificar sua Constituição, na qual traz desde 1995 que o país sul-americano ratifica sua "legítima soberania" sobre as Malvinas.

Neste sentido, o diplomata se perguntou se a posição da Argentina mudou porque nas águas das Malvinas poderiam haver reservas de gás e petróleo, e disse que os kelpers (habitantes das Malvinas) têm direito a explorá-lo, embora tenha reiterado que os lucros "seriam para as ilhas, não para o Reino Unido".

O representante britânico reiterou novamente a posição de seu país de não negociar a soberania das Malvinas enquanto os habitantes das ilhas não pedirem e insistiu em que o Reino Unido vai continuar defendendo "o futuro político, social e econômico das Falkland".

Por último, o embaixador britânico sustentou que "depende deles" (Argentina) retomar o diálogo bilateral sobre as ilhas Malvinas, e lembrou que foi a Argentina que o rompeu de forma unilateral em 1995, "quando modificaram de forma tão agressiva sua Constituição". 

Fonte: Estadão / EFE

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Centenário da morte do Barão do Rio Branco - Nota do MRE

 
 
Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete

Nota à Imprensa nº 31
10 de fevereiro de 2012

Centenário da morte do Barão do Rio Branco

O Ministério das Relações Exteriores recorda hoje, 10 de fevereiro de 2012, o centenário da morte de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.

José Maria da Silva Paranhos Júnior nasceu em 1845. Iniciou sua carreira no Serviço Exterior em 1876, como Cônsul em Liverpool. Em duas ocasiões na década de 1890, foi designado Ministro Plenipotenciário em missão especial para defender os interesses brasileiros em disputas fronteiriças relacionadas ao sul do Brasil e ao atual estado do Amapá, obtendo vitórias nos dois casos. Esteve à frente da Missão do Brasil em Berlim de 1901 a 1902.

Serviu como Ministro das Relações Exteriores de 1902 a 1912, durante o mandato de quatro Presidentes: Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Como Chanceler, consolidou, de forma pacífica, as fronteiras do Brasil. Considerado o patrono da diplomacia brasileira, deixou legado de pragmatismo e opção pela solução pacífica de controvérsias.

As comemorações do centenário da morte do Barão do Rio Branco iniciam-se com a Exposição “Rio Branco – 100 Anos de Memória”, aberta à visitação no Palácio Itamaraty, em Brasília.
 
Fonte: MRE

Controle de recursos naturais movimenta disputa pelas Malvinas



O aumento da tensão entre a Argentina e o Reino Unido pela soberania das ilhas Malvinas tem entre suas arestas a exploração dos recursos naturais no Atlântico Sul, um tema estratégico também com relação ao domínio antártico e que afeta outros países sul-americanos. "Sem dúvida, as Malvinas são um lugar estratégico do ponto de vista dos recursos naturais", disse àEFE Gabriel de Paula, especialista em energia e recursos naturais do Centro Argentino de Estudos Internacionais (CAEI).


O arquipélago, situado a 13 mil quilômetros de Londres e a 800 do litoral argentino, é rico em recursos pesqueiros, reservas prováveis de hidrocarbonetos - a prospecção ainda é marginal - e potencial para a extração de minerais do fundo do mar. Nesta terça-feira, após anunciar que denunciará o Reino Unido nas Nações Unidas pela militarização das ilhas, a presidente argentina, Cristina Kirchner, acusou os britânicos de "depredar" os recursos naturais nas Malvinas.

"A relação entre os recursos naturais e o domínio sobre as ilhas é constante, de ida e volta. De fato, os recursos naturais foram a causa do fim das distintas negociações antes da guerra de 1982", disse à EFE Bruno Tondini, professor da Universidade Nacional de La Plata e também membro do CAEI. Tondini disse que uma dessas negociações foram rompidas em 1974, quando os britânicos constataram o potencial petroleiro nas Malvinas.

As ilhas, ocupadas pelos britânicos em 1833, são além disso "fundamentais" para o abastecimento que Londres realiza em suas bases na Antártida, "onde as exigências de soberania do Reino Unido se sobrepõem com as da Argentina e do Chile", disse De Paula. A Antártida é rica também em recursos pesqueiros, minerais e hidrocarbonetos; estes dois últimos não podem ser explorados pelo Tratado Antártico - assinado em 1959 -, mas o especialista acredita que ele pode eventualmente ser revisado para permitir sua extração. "Em algumas regiões da península antártica, por exemplo, há escapes de gás natural que podem ser capturados para abastecer as bases. Isso constituiria uma mudança muito pequena, mas sensível, no tratado", disse De Paula.

Também tem importância a questão de água doce da Antártida: "No longo prazo, se houver uma crise mundial pela água, vão buscar este recurso onde esteja e ao custo que seja", afirmou. Neste contexto, os países da América do Sul se somaram à exigência argentina pelas Malvinas, uma adesão que, segundo Cristina Kirchner, parte de uma região que "entende a potencialidade do que pode acontecer".

A América do Sul é uma região com biodiversidade, terra fértil, água potável, hidrocarbonetos e baixa densidade populacional, o que faz com que os recursos não sejam explorados ao máximo. Segundo De Paula, "a região - uma área que nos últimos anos mostrou uma convergência política inédita -, percebe que do ponto de vista de seus recursos está em uma posição de privilégio e que, como tal, é preciso defendê-la. (...) O Brasil, em sua estratégia de defesa nacional, de 2008, já fala especificamente em uma hipótese de conflito de uma força muito maior sobre dois campos estratégicos para o país: o Amazonas, pela água, e o mar territorial, pela pesca e os hidrocarbonetos", disse o especialista.

Tondini, por sua parte, não vê chance de Reino Unido ofender a posição brasileira sobre recursos em sua plataforma marinha. "Mas acho que o Brasil seguiu a exigência da Argentina para se posicionar como líder de um grupo de países, a fim de, talvez no futuro, reivindicar uma porção da Antártida, marginalizando um dos atores extra-continentais do jogo, que é a Grã-Bretanha", afirmou.

Fonte: EFE

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