sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Para Amorim, canal aberto com a sociedade beneficia criação de uma mentalidade de defesa no país.


Brasília, 21/09/2011
— O ministro Celso Amorim destacou nesta terça-feira (20/09), na aula inaugural do 1º Curso Superior de Política e Estratégia (1° CSUPE), a importância do diálogo com a sociedade civil para o desenvolvimento de uma mentalidade de defesa no país.

A aula inaugurou o núcleo brasiliense da Escola Superior de Guerra (ESG), voltado à formação de quadros civis. A unidade servirá como embrião do Instituto Pandiá Calógeras, previsto na Estratégia Nacional de Defesa (END). Na sede carioca, na Fortaleza de São João, serão concentrados os cursos de viés militar.

“Vim de uma casa muito ciosa de sua competência”, afirmou Celso Amorim, “e posso comprovar os benefícios que tivemos a partir do momento em que abrimos o Instituto Rio Branco para discussões. Ficou muito mais fácil conversar com o Legislativo para explicar nossas posições. Acredito que conseguiremos os mesmos benefícios se estabelecermos um canal com a sociedade.”

Compareceram à aula inaugural o comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Júlio Soares de Souza Neto; o chefe do Comando Terrestre do Exército (Coter), General-de-Exército Américo Salvador de Oliveira, e o chefe do Estado Maior da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery.

TecnologiaEm sua exposição, o ministro da Defesa lembrou a importância de se investir na indústria militar. “Quanto estive no Ministério da Ciência e Tecnologia tive acesso aos principais programas de desenvolvimento em tecnologia dos Estados Unidos. A grande maioria era de empresas civis, mas as encomendas do Pentágono cobriam 50% do investimento.”

Segundo Celso Amorim, existem benefícios na cooperação tecnológica com outros países, principalmente no subcontinente sul-americano. “Devemos desenvolver uma política de integração com as indústrias dos países da Unasul. É claro que, devido à massa de nosso parque, teremos um papel de liderança, mas podemos explorar as potencialidades de cada um.”

Ele lembrou, explicitamente, o programa do avião de transporte e reabastecedor KC-390, da Embraer, que conta com apoio das indústrias da Argentina, do Chile e da Colômbia. Outras parcerias que poderiam ser exploradas, além das tradicionais — como a mantida com a França para a produção de submarinos nucleares e convencionais —, seriam no âmbito da cooperação sul-sul, principalmente com a África do Sul, que já produz um míssil ar-ar de curto alcance em sociedade com o Brasil (o A-Darter), a Turquia e a Índia.

Indústria militarDe acordo com o ministro Celso Amorim, o novo projeto de lei que cria incentivos para a indústria de material de defesa, o PL-Prod, será fundamental para a viabilidade do setor, mas necessita do acompanhamento de uma política contínua de aquisição.

“Não podemos garantir a sobrevivência da indústria de material de defesa apenas com exportações. O uso do equipamento pelo país produtor serve como um selo de qualidade”, destacou. “Devemos lembrar que, no passado, um grande grupo nacional, que se fiou em encomendas de um país estrangeiro, faliu, quando, por injunções internacionais, elas não se concretizaram.”

O PL-Prod, para ele, se insere perfeitamente na política de desenvolvimento nacional e de geração de emprego defendida pela presidenta da República, Dilma Rousseff.

O cursoA Escola Superior de Guerra (ESG) criou o 1º Curso Superior de Política e Estratégia (1° CSUPE), com duração de dois meses, com o objetivo de incentivar o estudo de assuntos da Defesa nos escalões da Administração Pública, no meio militar e junto aos setores empresariais e acadêmicos. O programa envolve, entre outros assuntos, questões orçamentárias, proteção da fronteira, política de mobilização, necessidades de novos equipamentos e influência do cenário político internacional no ambiente interno do País.

Para que o curso atenda a seus objetivos, a ESG selecionou, entre cerca de100 candidatos, 41 representantes da área civil e 13 da área militar, pertencentes a 28 diferentes órgãos de governo. Eles cumprirão uma carga horária de 57 horas de painéis e palestras, a serem conduzidos por integrantes do próprio Ministério da Defesa, além de conferencistas dos ministérios das Relações Exteriores, Orçamento e Gestão, Ciência, Tecnologia e Inovação, Meio Ambiente, Secretaria de Assuntos Estratégicos, Polícia Federal, Receita Federal, FIESP e pesquisadores e empresários da indústria de defesa.

Além de exposições teóricas conceituais, uma parte do 1º CSUPE será destinada a visitas. Nelas os participantes irão conhecer o Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército e o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, centros de excelência em suas respectivas áreas de atuação.

Fotos: Tereza Sobreira
Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa
(61) 3312-4070

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