segunda-feira, 4 de outubro de 2010

LIGA DA DEFESA NACIONAL - FUNDADA POR OLAVO BILAC EM 1916





Acta Primeira
Às dezessete horas de 7 de setembro de 1916, no salão das conferencias da Bibliotheca Nacional, foi aberta a sessão de installação do Directorio Central da Liga da Defesa Nacional, estando presentes os senhores General Caetano de Faria , Dr. Pedro Lessa, Dr. Miguel Calmon , Almirante Julio César de Noronha, Senador Bernardo Monteiro, Oscar da Porciuncula, Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, Comandante Muller dos Reis, Conselheiro Nuno de Andrade, Dr. Guilherme Guinle, Monsenhor Vicente Lustosa, Dr. Cícero Peregrino da Silva, Dr. Homero Baptista, Affonso Viseu, Candido Gaffrée, Almirante Teixeira Bastos, Dr. João Teixeira Soares, Dr. Alberto de Faria, Dr. Oscar Lopes, Alvaro Zamith , Dr. Osório de Almeida, Jorge Street, Dr. Raul Pederneiras, Dr. Pereira Lima, Senador Soares dos Santos, Conde Carlos de Laet, Dr. Joaquim Luiz Osório, Dr. Araújo Lima, Conde de Affonso Celso, Coelho Netto, Dr. Miguel Couto, Felix Pacheco, Marechal José Bernardino Bormann, Joaquim de Sousa Ribeiro e Olavo Bilac.
Convidado a ocupar a cadeira da presidencia o sr. General Caetano de Faria, acquiesceu, sentando-se a direita de s. exa. o sr. dr. Pedro Lessa e a esquerda o srs. Olavo Bilac  e Dr. Miguel Calmon. Aberta a sessão, o sr. OLAVO BILAC procedeu à leitura de telegrammas dos srs.Conselheiro Ruy Barbosa, Conselheiro Rodrigues Alves, Marechal Jeronymo Jardim, Senador Alfredo Ellis e Deputado Antonio Carlos excusando-se por não poderem comparecer e protestando inteira solidariedade a idéa da fundação da Liga da Defesa Nacional.
Terminada a leitura do expediente, falou o sr. Olavo Bilac, que proferiu o seguinte discurso: “Peço permissão para poucas palavras - não um discurso - apenas uma singela nota, que explique summariamente os motivos desta primeira reunião. O patriotismo e a influencia, a fé e a responsabilidade, a abnegação e o credito dos srs. Pedro Lessa e Miguel Calmon conseguiram reunir-vos. Appellando para a vossa competencia, para a vossa sabedoria e para o vosso fervor patriotico, esses dous grandes brasileiros viram coroada de triumpho a sua nobre iniciativa. A LIGA DA DEFESA NACIONAL está fundada. Contendo representantes de todas as classes productoras e defensoras do paiz, este Directorio Central, se não congrega todos os grandes nomes do Brasil (o que seria impossivel) , congrega alguns dos maiores, dos mais belos e respeitados, alguns que já fazem parte do patrimonio moral da nossa terra. Perdoareis, de certo, o meu atrevimento, attendendo a estas alterniantes: a simplicidade, a clareza a brevidade do que vou dizer. O paiz já sabe, pela rama, o que esta Liga pretende fazer: estimular o patriotismo consciente e cohesivo; propagar a instrucçao primaria, profissional-militar e cívica; e defender: com a disciplina - o trabalho; com a força - a paz; com a consciência - a liberdade; e com o culto do heroísmo a dignificaçao da nossa historia e a preparação do nosso porvir. O intuito principal dos que nos animam é este: a fundação de um centro de iniciativa e de encorajamento, de resistência e de conselho, de perseverança e de continuidade para acção dos dirigentes e para o labor tranquillo e assegurado dos dirigidos. O patriotismo individual, a crença pessoal, a consciencia propria nunca estiveram ausentes - do maior número das almas brasileiras. Mas, esses sentimentos oscillam e vacillam numa vaga dispersão; e, nessa mesma dispersão deploravel, perdem-se e dissipam-se os esforços isolados. A extensão do territorio, a pobreza da communicações, o accordo pouco definido de uma federação mal comprehendida, a mingua da ventura em muitos sertões desamparados, a inopia da instrucção popular sustentam e aggravam esta desorganização. A descrença e o desanimo prostam os fortes; o descontentamento e a indisciplina irritam os fracos; a communhão enfraquece-se. É tempo de protestar e de reagir contra esse fermento de anarchia e esse tendencia para o desmembramento.
O protesto e reacção estão nésta Liga, cujo  título é claro e synthetico. A defesa nacional é tudo para a Nação. É o lar e a Patria; a organização e a ordem da familia e da sociedade; todo o trabalho, a lavoura, a industria, o commercio; a moral doméstica e a moral política; todo o mecanismo das Leis e da administração; a economia, a justiça; a instrucção; a escola, a officina, o quartel,; a paz e a guerra; a historia e a política, a poesia e a philosophia; a sciencia e a arte; o passado, o presente e o futuro da nacionalidade(o negrito foi feito como  destaque pela atual direção da LIGA)  . Todo este programma vasto e complexo não pode ser estudado e esclarecido pela minha palavra incompetente. Fundada a Liga, devemos hoje confiar-vos esta missão altamente nobre. Pedimos às vossas luzes um estatuto para a Liga e um corpo de doutrinas e de exemplos, de bôa palavra e de bôa acção, que sejam garantia e conforto para o governo e para o povo. As vossas mãos entregamos toda a segurança do Brasil. Quizemos que esta primeira reunião do Directório Central se realizasse neste dia. Assim celebraremos sem solemnidades, mas com o simples e sereno respeito dos verdadeiros crentes, o anniversario da Independência. Quizemos que esta celebração se fizesse n’este logar, na casa dos livros, no templo das idéias, no cerebro do Brasil. Na minha consciencia, na humildade da minha fervorosa esperança, acredito que este dia será para a nossa história o complemento e o remate da obra de 7 de Setembro de 1822. Inaugura-se hoje a victoria inteira da verdadeira independência da nossa nacionalidade. Recebei com carinho a Liga da Defesa Nacional, creação de Pedro Lessa e Miguel Calmon. Deus vos inspire e a Patria vos abençoe”. O Sr. Candido Gaffrée, pedindo a palavra, propoz que a directoria da Liga ficasse assim constituida: Vice-presidentes, General Caetano de Faria , Conselheiro Alfredo Corrêa de Oliveira, Almirante Alexandrino de Alencar, Conselheiro Ruy Barbosa,    Conselheiro Francisco de Paula Rodrigues de Alves, , Monsenhor Vicente Lustosa de Lima, Dr. Gabriel Osorio de Almeida, Dr. Pedro Lessa, Dr. Pandiá Calogeras, Dr. Miguel Calmon du Pin e Almeida. E, mais propoz para a Comissão de Estatutos os srs. Conde de Affonso Celso,    Coelho Netto , Felix Pacheco, Homero Baptista, Joaquim Luis Osorio, Alfredo Ellis, Marechal Bormann, Almirante Julio de Noronha, Dr Raul Pederneiras, Dr Pereira Lima, Alberto de Faria, Bernardo Monteiro, Dr. Miguel Couto, Dr. Nuno de Andrade e Monsenhor Vicente Lustosa. O Sr. General Caetano de Faria, submetendo à approvação da assembléia essas propostas, declarou que no referente a directoria não era indicado o presidente por ficar subentendido que o  Presidente da Liga será sempre o Presidente da República. As propostas foram approvadas por acclamação, depois de breves palavras sobre a Comissão de Estatutos proferidas pelo Sr. Conde de Affonso Celso, que lembrou a convivência de nella figurarem os srs Pedro Lessa, Miguel Calmon e Olavo Bilac, o que ficou resolvido unanimimente. Orou em seguida o Sr. Pedro Lessa que disse ser a Liga da Defesa Nacional obra de Olavo Bilac, creação que exaltou, citando como marco memorável da actual campanha cívica a conferencia do poeta em S Paulo. O Sr. Pedro Lessa tem também referencias encomiasticas para o Dr. Miguel Calmon, salientando o seu papel ao lado de Olavo Bilac na fundação da Liga. Por ultimo falou o Dr. Miguel Calmon apologiando a obra de Olavo Bilac e o concurso do Dr. Pedro Lessa, tornando publica a satisfação que dominava a Commissão que se entendeu com Sr. Presidente da República sobre a Liga da Defesa Nacional, acolhida com a maior sympatia e enthusiasmo pelo Chefe da Nação, o Exmo Sr. Dr. Wenceslau Braz. O Sr. General Caetano de Faria agradeceu a presença do directorio e encerrou os trabalhos às dezoito horas. Durante a sessão prestou guarda de honra o 7° Batalhão de Atiradores (Tiro nr 7 ). Ao sahir do edifício da Biblioteca Nacional recebeu o Directorio Central da Liga da Defesa Nacional continencias do batalhão do referido Tiro nr 7 que, prestou por sua vez as devidas honras ao General Caetano de Faria, Ministro da Guerra.
Foi approvada a redação desta acta. 23 de setembro de 1916.  OLAVO BILAC.

Este documento é transcrição do original da ata de criação da LIGA DA DEFESA NACIONAL,  mantida   fidelidade ao  documento original.
É documento histórico importante, pelo que representaram suas idéias na época, mas, principalmente, pelo que podem representar na conjuntura em que vive a NAÇAO BRASILEIRA, neste começo de milênio.

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