sábado, 9 de outubro de 2010

CRIAÇÃO DA FORÇA NAVAL DO NORDESTE

 

Dia da Criação da Força Naval do Nordeste

 Corveta Camaquã

Comando de Operações Navais
Ordem do Dia Nº 5/2010
Há exatos sessenta e oito anos, pelo Aviso nº 1661 de 5 de outubro de 1942 era criada a Força Naval do Nordeste. O momento histórico era o da II Guerra Mundial, inicialmente limitada ao continente europeu, mas que rapidamente se espalhou por todos os oceanos, incluído o Oceano Atlântico por sua importância estratégica para os beligerantes.
De inicio o Brasil manteve-se neutro em relação ao conflito só reorientando sua posição após o ataque realizado por forças japonesas ao Arquipélago do Havaí em 7 de dezembro de 1941, quando declarou sua solidariedade aos Estados Unidos da América na reação ao covarde ato de agressão.
Assim em janeiro de 1942, cerca de um mês após o ataque o governo brasileiro atendendo aos reclames da opinião pública abandonava sua postura de neutralidade rompendo relações diplomáticas e comerciais com os países do eixo, Alemanha, Itália e Japão, alinhando-se aos países aliados. Em razão dessa atitude a nossa Marinha Mercante passou a sofrer ataques de submersíveis alemães ao longo de todo o nosso litoral, ocasionando afundamentos e a perda de mais de seiscentas vidas entre seus tripulantes e passageiros.
Esta continuada agressão levou mais uma vez à escalada da crise já instalada e o Brasil ao estado de guerra contra as potências do Eixo. No ato da declaração de guerra a Marinha do Brasil possuía insipientes conhecimentos sobre doutrina de guerra antissubmarino bem como insuficiência de meios adequados a conduzi-la, pois só dispúnhamos de navios remanescentes da Esquadra de 1910 que não dispunham dos modernos sonares e armamentos antissubmarinos.
Era uma mudança de paradigma a necessidade de engajamento da MB em uma guerra predominantemente contra submarinos. Somente com o suporte político-militar dos Estados Unidos da América pudemos dar início a uma reestruturação da nossa força com o propósito de adequar-nos à nova situação de conflito. Inicialmente em decisão conjunta na Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos foi estabelecida a criação de um Comando Naval único responsável por conduzir as operações, o Comando da Força do Atlântico Sul cujo comando foi atribuído ao Almirante JONAS H. INGRAM e em sequência a Força Naval do Nordeste – FNNE, a ele subordinada.
Não tardou então a ser aprovada pelo Congresso norte-americano o "Lend and lease Act" – Lei de Empréstimos e Arrendamento – que permitiu nos fossem transferidos navios modernos e transmitida doutrina de operações imprescindíveis para condução de nossas ações no mar, consequentemente viabilizando o cumprimento de nossa tarefa de proteção ao tráfego marítimo.
Assim estava posto mais um desafio à nossa Marinha. A necessidade de operar novos meios e disseminar sua doutrina de emprego era uma atividade extremamente difícil e ficaria a cargo da nossa Força Naval do Nordeste. Para comandá-la exigia-se a presença de um homem de fibra e autêntico Chefe Naval o então Capitão-de-Mar-e-Guerra ALFREDO CARLOS SOARES DUTRA, posteriormente promovido a Contra-Almirante e que por seus atributos de liderança e profissionalismo, aliados à sua habilidade foram essenciais para a superação dos obstáculos a serem ultrapassados na prontificação de uma força naval que só glórias e vitórias trouxe à Marinha, conforme nossa história comprova.
Inicialmente constituída pelos Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, Navios Mineiros Carioca, Caravelas, Camaquã e Cabedelo – posteriormente reclassificados como corvetas – e Caça-submarinos Guaporé e Gurupi, mais tarde a ela se incorporaram o Tender Belmonte, novos Caça-submarinos, contratorpedeiros-de-escolta, contratorpedeiros Classe M e submarinos Classe T para constituírem a Força-Tarefa 46 da Força do Atlântico Sul, responsável por realizar o maior esforço operacional, no mar, naquele momento tendo como suas principais tarefas: realizar patrulha antissubmarina nos portos brasileiros, efetuar a escolta de comboios nas derrotas Trinidad-Bahia-Trinidad bem como no trecho dessa derrota para Belém.
Dentre essas missões destaca-se a escolta dos transportes americanos General MAHN e General MEIG que conduziram a Força Expedicionária Brasileira – FEB – para os campos de batalha na Itália. Sob proteção da FT 46 foram realizados quinhentos e setenta e cinco comboios o que garantiu a atracação segura em seus portos de destino de mais de três mil e cem navios.

Cruzador Bahia

Para isso muito se fez e muito se trabalhou, verdadeiros marinheiros que com seus sangue e suor escreveram páginas de abnegação e heroísmo no cumprimento do dever, dentre eles quatrocentos e oitenta e seis com o sacrifício da própria vida.
Assim a Força Naval do Nordeste escreveu sua história nos legando magnífico exemplo de superação sustentado no elevado espírito de seus navios e na busca incansável do cumprimento de sua missão, exemplos esses que ainda prevalecem como fundamentais no preparo de nosso Poder Naval.
Essas razões me levam à convicção que ao comemorarmos hoje a criação da Força Naval do Nordeste devemos fazê-lo rendendo homenagem a todos àqueles bravos e dedicados marinheiros que a integravam, alguns aqui presentes, que com amor à Marinha, coragem e perseverança, superando as adversidades defenderam com valentia nossa Pátria, assegurando a existência de um mundo mais justo e livre.
Que o valoroso exemplo de nossos Marinheiros da Força Naval do Nordeste não se apague de nossas mentes orientando homens e mulheres que hoje integram a Marinha em sua conduta no cumprimento de sua missão.
Sua bravura nos faz lembrar a guerra, e ao nos encher de orgulho nos projeta o dever de estarmos prontos a atender à defesa de nossa Pátria.
 
LUIZ UMBERTO DE MENDONÇA
Almirante-de-Esquadra
Comandante

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