quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Chávez terá de negociar com a oposição para concretizar orçamento

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
 
Brasília – Pela primeira vez em cinco anos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, terá de negociar com a oposição para ver aprovado o Orçamento Geral para 2011. A proposta já passou pelo Conselho de Ministros, mas precisa ser submetida à Assembleia Nacional, o que ocorrerá amanhã (14). É a primeira vez que isso ocorre desde as eleições de 26 de setembro, quando Chávez perdeu o controle absoluto sobre o Parlamento e passou a contar com a presença de oposicionistas na Casa.
 
As informações são da imprensa oficial, a Agência Venezuelana de Notícias. Pela proposta aprovada por Chávez, há um item considerado controvertido, que é relativo à Lei  Especial de Endividamento. O presidente reiterou, porém, que a maior parte dos investimentos será aplicada em programas sociais. Caberá ao ministro do Planejamento e Finanças, Jorge Giordani, apresentar a proposta orçamentária aos 165 parlamentares.
 
No último dia 26, dos 17,7 milhões de eleitores aptos a votar, 66,45% compareceram, registrando percentual recorde de participação nas eleições legislativas no país, segundo as autoridades. Os eleitores escolheram 165 parlamentares da Assembleia Nacional e 12 para o Parlamento Latino-Americano.
 
Do total, o grupo de Chávez conseguiu eleger 98 parlamentares e a oposição 67. Os resultados mostram que o presidente terá de negociar com a oposição, o que não ocorria desde 2005. Há cinco anos, a oposição se retirou da disputa e a Assembleia Nacional da Venezuela passou a ser representada apenas por aliados do governo. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmaram que a Venezuela entra em uma nova etapa de sua história política.
 
Na campanha contra Chávez e em favor da oposição há as dificuldades econômicas na Venezuela. O  desabastecimento é uma das principais queixas da população, que reclama da falta de produtos básicos, como leite e manteiga, em algumas regiões. Além disso, existe a previsão de inflação de 30%. Paralelamente, o governo ainda tenta conter as ameaças de um novo apagão energético.
 
Em favor de Chávez há o fato de a oposição não ter um nome forte para fazer frente ao presidente, nem apresentar ideias concretas que se coloquem como uma antítese à proposta chavista. Apesar desse quadro, a expectativa é que o cenário político para 2012, quando ocorrem as eleições presidenciais na Venezuela, seja diferente do atual.
 
Edição: Graça Adjuto
 
Fonte: Agência Brasil
 
 

Publicado em: 13/10/2010

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