segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Brasil Acerta Comando de Frota da Missão de Paz da ONU no Líbano (UNIFIL) Fonte: Brasil Acerta Comando de Frota da Missão de Paz da ONU no Líbano (UNIFIL)


O Governo brasileiro, de acordo com a Folha, estaria com “conversas avançadas” para integrar o comando da Unifil, que é a Força Interina da ONU no Líbano (United Nations Interim Force in Lebanon). Sua função é evitar confrontos entre o Hezbollah e Israel. A Missão foi criada em 1978 como forma de garantir a saída pacífica das tropas de Israel do país.
O Departamento de Operações da ONU (DPKO) teria informado que a negociação estaria na fase de “finalização de detalhes”, mas sem prazo definido.
A primeira etapa da presença brasileira seria assumir o comando naval da Unifil, atualmente nas mãos dos italianos. Nós deveríamos enviar de cinco a dez oficiais de alto nível da Marinha, que comandariam frota de oito navios e 885 homens.
A segunda etapa poderia compreender o envio de carca de 250 homens do Exército brasileiro. Atualmente a força empregada conta com 11.449 militares de 31 países. Em comparação, a Missão do Brasil no Haiti ocupa mais de mil militares brasileiros hoje.
A Folha informa que em agosto foi elaborado pelo Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter) um estudo técnico sobre o envio das tropas. O documento estaria sob análise do Ministério da Defesa. Caberia ao Brasil, também, fornecer equipamentos, como veículos blindados de transporte.
A Folha indica que a ONU pede ao menos uma embarcação para integrar a frota, exigência que teria desagradado o Ministério da Defesa, que teria alegado que isso prejudicaria a estrutura da Marinha. As tropas seriam, assim, uma possível contrapartida.
O comando da Unifil seria uma oportunidade de entrar no jogo do Oriente Médio, uma forma para aproximar-se do sonho de ser chamado para intermediar o conflito Israel-Palestina.
Comentário
Sobre possível envio de tropas
Confio muito em nossos militares, mas essas missões sempre devem ser vistas com muito cuidado. A situação naquela área é muito instável, seria quase como colocar nossos soldados ao lado de barris cheios de pólvora.
Quantas vezes não vimos escaladas rápidas e ferozes nos confrontos entre Israel e forças que atuam no Líbano? Há poucos meses vimos trocas de mísseis de um lado a outro na fronteira. Os soldados da ONU ficam, creio eu, correndo de um lado para o outro, evitando serem mortos em momentos como esse.
Creio que a intenção é boa, mas vejo como um risco excessivo. Talvez o ideal fosse apenas um número moderado de soldados. Outro fator é o de que a região já tem uma boa imagem do Brasil, nós não precisamos fazer muito para conseguir a simpatia deles. Na verdade, o contato estreito, como qualquer tipo de contato muito íntimo, poderia até mesmo estragar essa “aura”que temos. Lembremos que as culturas são muito diferentes e existe grande chance de algum soldado quebrar regras locais e corromper nossa boa imagem.
Creio que ninguém, absolutamente ninguém, gosta de ter estrangeiros em suas terras. Não vejo nenhuma exceção à regra em casos normais ou próximos da normalidade (só em casos extremos: massacres e desastres naturais). Ou a iniciativa pode ser vista como uma intromissão indesejada ou como uma afirmação de incompetência daquele povo em gerir a si mesmo.
Enfim, não sou a favor pois acho demasiado arriscado, nós seríamos deixados à sorte e ao azar. Por outro lado, considerado benéfico o comando de forças apenas com poucos oficiais graduados, já que mostraria nossa competência e, ao mesmo tempo, serviria como uma boa jogada de relações públicas.

Maiores informações sobre a UNIFIL



Guerra de Israel com o Hezbollah em 2006 (a foto mostra um ataque “cirúrgico” de Israel)


A UNIFIL (Força Interina da ONU no Líbano) foi estabelecida em 1978 pela resolução 425 (1978) PDF Document e 426 (1978) PDF Document da ONU, com a função de:
  • Confirmar a saída das tropas de Israel do sul do Líbano;
  • Restaurar a paz a segurança; e
  • Apoiar o Governo do Líbano a restaurar sua autoridade sobre a área.
Houve necessidade de reajustar a UNIFIL após a guerra de 1982 entre Israel e Líbano, quando as funções da Missão foram reduzidas apenas à assistência humanitária; e depois da saída de Israel para a Blue Line (linha azul) em 2000, quando a UNIFIL retornou às suas funções militares.
Em 2006, seguindo à guerra entre o Hezbollah e Israel, o Conselho de Segurança da ONU (CSNU), por meio da resolução 1701 (2006) PDF Document, de 11 de agosto de 2006, houve expansão do papel da UNIFIL a fim de:
  • Monitorar o fim das hostilidades;
  • Acompanhar e apoiar as Forças Armadas do Líbano (LAF) conforme ocupassem o sul do Líbano e as tropas de Israel fossem sendo retiradas.
  • Coordenar suas atividades com os dois governos;
  • Estender as atividades para abarcar ajuda humanitária e o retorno seguro de pessoas deslocadas;
  • Apoiar a LAF na configuração de área sem qualquer armamento que não seu ou da UNIFIL entre a Linha Azul e o rio Litani ;
  • Apoiar o Líbano na defesa de suas fronteiras e pontos de entrada a fim de prevenir a entrada de armamentos no país.


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