sábado, 8 de maio de 2010

08 de Maio Dia da Vitória

Há exatos 65 anos, o mundo celebrava a rendição incondicional das forças nazifascistas,
marcando o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa e abrindo o caminho para a capitulação japonesa alguns meses depois. Era o triunfo da liberdade sobre a opressão, do diálogo
sobre a conquista, da democracia sobre a tirania.

A invasão da Polônia pela Alemanha, em 1939, dera início ao conflito. Ao longo de quase seis anos, a guerra propagar-se-ia por céus, terras e mares de todos os continentes. Tragaria nação
após nação na espiral de violência deflagrada pelo projeto de poder totalitário do Eixo Berlim - Tóquio - Roma. Governos e povos livres, as mais das vezes traiçoeiramente
atacados, unidos pelo ideal de salvaguardar o direito de autodeterminar seus destinos,
aliaram todo seu potencial político, econômico, psicossocial e militar para restabelecer o
equilíbrio na arena internacional. Sua voz e sua força se fizeram sentir do Atlântico ao
Pacífico, dos campos e montanhas da Europa às selvas do Sudeste Asiático, dos desertos da
África ao milenares sítios do Oriente Médio. O preço para dobrar a vontade dos
agressores seria enorme. Cerca de 70 milhões de vidas militares e civis seriam sacrificadas,
milhões de famílias seriam dilaceradas e muitos países seriam devastados. As relações de poder entre as nações jamais seriam as mesmas. O afundamento de navios mercantes brasileiros em nossas próprias águas jurisdicionais calou fundo na alma nacional. O
povo passa a exigir do governo uma resposta à altura da agressão.
Em defesa da honra, da soberania e dignidade nacionais, mas também em nome da
liberdade e respeito entre as nações, o Brasil rompe sua neutralidade inicial
a partir de agosto de 1942, declarando guerra ao Eixo. A participação brasileira no evento

foi expressiva. No campo político, cedeu para o emprego aliado bases aéreas no Nordeste que, por sua estratégica posição no hemisfério, constituiriam o “Trampolim da Vitória”
dos aliados no Atlântico Sul e no norte da África. No campo econômico, forneceu materiais estratégicos indispensáveis ao complexo industrial aliado. Na dimensão militar, enviou para
o teatro europeu um contingente de 25.000 combatentes. Ainda que empregada em terreno
montanhoso, sob os rigores de um inverno que nunca havia conhecido e contra um
inimigo audacioso, combativo e muito bem instruído, a Força Terrestre não desmereceu a
confiança nela depositada pela Nação. Nossos pracinhas driblaram toda sorte de obstáculos,
bateram-se com bravura e venceram com glória. Escreveram com sangue uma das mais
relevantes páginas da nossa História Militar, vivenciando na plenitude a estrofe de nosso
Hino Nacional: “... verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte... ’’. As demais Forças Armadas não brilharam menos nas operações. A Marinha e a Força Aérea contribuíram decisivamente para a conquista dos objetivos brasileiros na guerra.
Às nossas forças navais couberam as tarefas de defesa de nosso vasto litoral contra as incursões
inimigas e de escolta de comboios em grande trecho do Atlântico. Seu desempenho
foi alvo de repetidos elogios, sendo qualificada como modelo de eficiência,
regularidade e boa execução pelo comando da esquadra norte-americana. A FAB destacou-se no patrulhamento aéreo de nosso litoral e no heróico desempenho da Esquadrilha de
Ligação e Observação e do 1º Grupo de Aviação de Caça nos céus da Itália. Ao lendário “SENTA A PUA!” competiu apoiar o avanço das forças terrestres em operações, contribuir no isolamento
do campo de batalha pela interrupção sistemática de eixos rodoferroviários, bem como cooperar com a interdição da indústria e instalações militares do inimigo. O tributo pago pela Pátria à causa da liberdade não foi baixo. Entre civis e militares, 1889 vidas, 34 navios e 22 aviões
compuseram o acervo de perdas que, longe de comprometer a vontade nacional e seu ânimo guerreiro, fortaleceu sua determinação de perseguir a vitória e legar-nos um país soberano.
Os dias de hoje, não obstante os sacrifícios dos que nos antecederam, ainda não são caracterizados pela igualdade entre os povos e pela solução pacífica das controvérsias. As
chamadas “novas ameaças” - como o terrorismo e os crimes transnacionais - desafiam a capacidade de resposta articulada dos Estados. Extremismos de toda ordem ressurgem, reciclando fórmulas comprovadamente ineficazes, mascarando a ânsia por dominação. Cenários de disputa por recursos naturais progressivamente escassos desenham-se no horizonte.
Em face da conjuntura, dos cenários e da crescente importância do Brasil na comunidade mundial, não pode a Nação descurar da sua segurança. Não podem as Forças
Armadas, parcela fardada a quem foi delegada o monopólio da força, descurar de sua capacitação para preservar os interesses maiores do País e sobrepujar ameaças que atentem contra sua
soberania, quando a Pátria assim o determinar. Para a esmagadora maioria da população brasileira, a Segunda Guerra Mundial é, felizmente, um episódio desligado de suas experiências pessoais. Entretanto, é fundamental que não seja esquecida a herança daqueles que empenharam suas vidas para assegurar as nossas vidas e os nossos valores. A eles,
nosso eterno reconhecimento, nossa gratidão e, acima de tudo, nosso compromisso de honrar seus exemplos inspiradores, pela incansável vigilância, pela qualidade do nosso preparo e de
nossa prontidão para o cumprimento da nossa missão.

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