sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Tony Blair é interrogado sobre guerra do Iraque

O GloboAgências internacionais


LONDRES - O ex-premier britânico Tony Blair começou a ser interrogado nesta sexta-feira sobre a invasão liderada pelos Estados Unidos no Iraque. O ex-líder é questionado sobre acusações de que ele e seus assessores estavam determinados a derrubar o ditador Saddam Hussein. Esta é a primeira vez que Blair responderá em um inquérito a perguntas sobre os fatos que antecederam a ação militar com papel importante ao Reino Unido.

De acordo com o site da BBC, Blair será interrogado por seis horas sobre a guerra. A expectativa é de que o ex-premier defenda as suas ações de forma calorosa. Polêmicos dossiês que justificam a invasão também serão discutidos.


No início do interrogatório, Blair disse que a atitude do Reino Unido em relação a Saddam "mudou dramaticamente" após o 11 de setembro de 2001.

O editor de Política da BBCA Nick Robindon afirmou que o ex-premier deve dizer que Saddam Hussein tinha a "capacidade e a intenção" de construir armas de destruição em massa. "Me disseram que Tony Blair vai alegar que a queda de Saddam melhorou e salvou a vida de muitos iraquianos".

"Ele vai argumentar que apesar do terrível derramamento de sangue, valeu à pena para o Iraque e todo o mundo", completou o jornalista.

O ex-embaixador britânico em Washington Christopher Meyer dissera que houve um acordo "assinado com sangue" entre o então presidente Bush e Blair no rancho do ex-líder americano em Crawford, no Textas, em abril de 2002.

- O único compromisso prometido (em Crawford) foi o compromisso de lidar com Saddam - disse Blair. O ex-premier disse que falou para Bush "nós estaremos com vocês para enfrentar a ameaça".

Blair disse que outros líderes não tinham a mesma visão.

- Apesar de a mentalidade dos americanos ter mudado drasticamente (depois do 11/9) - a minha também mudou -, quando conversei com outros líderes, especialmente na Europa, não tive a mesma impressão.

Blair chegou ao centro de conferências onde ocorre o interrogatório, no Centro de Londres, uma hora e meia antes da sessão. Ele entrou no edifício por uma porta lateral, evitando os cerca de 200 manifestantes que protestam na porta do prédio.

Iniciado no final de novembro, o inquérito está analisando o período entre 2001 e 2009 e observar três pontos principais: a justificativa para a entrada no conflito, a preparação para a invasão do Iraque, em 2003, e as deficiências no planejamento para a reconstrução do país asiático.

Com membros nomeados pelo primeiro-ministro Gordon Brown, o júri, presidido por John Chilcot, não vai estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal, mas apenas emitir advertências e recomendações, para evitar que eventuais erros cometidos no episódio sejam repetidos no futuro.

No Reino Unido, jornais publicaram suas versões das "1- perguntas que Blair deve responder". Já o Partido Nacional Escocês e o partido nacionalista Plaid Cymru, do País de Gales, ambos opositores da guerra, elaboraram 63 perguntas. veja as perguntas no site do jornal "guardian" .

Parentes de alguns dos 179 soldados britânicos mortos no Iraque devem comparecer na manifestação em frente ao centro de conferência. O filho de Rose Gentle, Gordon, foi morto numa explosão em Basra em 2004. Ela disse que as famílias dos mortos querem encerrar a discussão e querem que Tony Blair explique "profundamente" aos parentes e ao público "por que invadiu.

O ex-premier tem sido bastante criticado após afirmar, no último mês de dezembro, em entrevista exclusiva à BBC, que teria prosseguido com a guerra do Iraque em 2003 mesmo sem evidências de que o país possuía armas de destruição em massa.

Blair deve ser perguntado em que estágio ele teria prometido ao então presidente americano, George W.Bush, que a Grã-Bretanha apoiaria uma ação militar contra o Iraque.



Fonte: O Globo





Publicado em: 29/01/2010

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